quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O QUE FOI POSSÍVEL FAZER NUM ÚNICO ANO!




(Marília e De Vários Jeitos)


PS: Aguardem os jeitos de Janeiro!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

SOL

sou eu quem puxa conversa com a catadora de latinhas na praia ao invés de ficar lá esticada quem nem lagartixa tomando sol,  sol é bom, mas prefiro vento, sombras e alguma solidão.

sou eu quem puxa conversa com os pescadores lá no rio negro do tubarão de Peruíbe, debaixo da ponte, não consigo pescar, mas compro o peixe dos caiçaras.

sou eu quem puxa o saco da chuva, chove chuva, por favor, faz ficar fresquinho aqui, se ela cai, faço companhia.

sou eu quem puxa o pé do meu filho, vem, vamos catar conchinha ao invés de catar coquinho.

sou eu quem puxa a minha bicicleta enferrujada no meio dos escombros do quartinho, pedala bike, anda comigo, vamos atropelar qualquer onda de mar, minha filha.

sou eu quem puxa o despertador de madrugada pra assistir o sol nascer redondo, que nem queijadinha iluminada no balcão da padaria, aproveito e compro pães.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

FADA AÇUCARADA

Ahhhh, se eu tivesse visto uma bailarina dançar quando eu tinha 5 anos de idade. Não tenho dúvida de que teria me tornado uma também. Daquelas bem felizes, rosinhas e magrinhas. Às vezes me pergunto o que eu fazia nesta fase ideal para ingresso à escola de balé. Acho que eu estava era andando de  bicicleta,  de patins, tava pulando corda descalça, brincado de expedição na floresta. O pior é que nem no carnaval tive a sensatez de me interessar pela fantasia. Preferi a de odalisca!

Assisti meu primeiro espetáculo inesquecível muitos anos depois, e quando percebi, já era tarde demais para vestir aquele tutu (lê-se titi) bem espetado na cintura,  sabe? Aquela saia armada que lembra uma flor margarida rodeando você?

Tô falando tudo isso porque ontem fui ver O QUEBRA NOZES, do Ballet Cisne Negro, influenciada por uma grande (muito grande) amiga minha. Pintei por lá pra escutar Tchaikovisky e  contemplar muitos  e muitos pés de sapatilhas apontados pra mim.

Meus olhos soltaram faíscas violentas de inveja suspirante. Sim, eu assumo. Dizem que inveja mata e ontem quase morri.  Um dos melhores conceitos de BELO foi tudo aquilo lá no palco. E eu senti que tantos saltos e piruetas poderiam ter sido meus também.

Uma das solistas do Cisne Negro dentro do Quebra Nozes (Victoria Oggiam) é chamada de fada açucarada!  Ela, que se destaca por si, e nos braços do bailarino príncipe ( Leandro Neves) num girante grand padedeux.

Trata-se de um dos mais famosos clássicos universais de dança e seu espetáculo tem ratos sinistros e neves fantásticas. Valsas, anjos, mouros, chocolate.

Azar o meu, que desperdicei qualquer chance de ser uma fada açucarada! O que me tornei  mesmo, depois  do show, foi uma fada amargada!


domingo, 20 de dezembro de 2009

ESCONDERIJO

eu tinha um beijo aqui em cima da mesa
cheio de ginga
genioso

se preparava para um cortejo
num lugarejo

(segredo)

e o manejo deste beijo
era que nem girassol
realejo

se fosse som seria
som urgente
juvenil

(torpedo)


 Flávia Reis

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PÊ DE POEMA

de repente
parto aos tropeços
perdido
pequeno
da praia do povoado

pés desprovidos
de qualquer repertório

disposto no pantanal
primitivo

sem pai
nem prata
sem repouso

de repente
parto aos tropeços
por dentro do passado
presente

sem repouso
nem pudor
na tempestade
no vapor
do imprevisto.


Flávia Reis

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

MACARRONADA E MEDUSA

Quem topa conhecer o Vik Muniz de pertinho? Sabe que amanhã é possível? Ele lança suas OBRAS COMPLETAS num livro catálogo que os franceses chamam de raisonné. Chic. Trata-se de todos os trabalhos de Vik, ilustrados e documentados: quando foi feito, quem comprou e onde se encontra. O pequeno livrão-zão tem 720 páginas. Não sei quanto vai custar. Mas seria um ótimo presente para se GANHAR de amigo secreto.

Na Livraria da Vila - Shopping Cidade Jardim, 5a.feira - às 19 horas.

Só para ilustrar, aqui segue uma fotoila de um dos trabalhos criativos de Vik Muniz,  feito com macarrão, molho vermelho e ARTE!





terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O PASSO DO ELEFANTINHO DE TOY DOLLS!

 Jeitosa bandinha inglesa!


DIZENDOMENTE

[...]

(você sabe?)
o sim, mundo
é provavelmente feito
de rosas & alô:

[...]

("meinho" do poema "Translação" de E.E Cummings, 1923.)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

PANINHOS

os paninhos
de Marília
têm pontinhos
de piqué

fuxico
bordadinho
bigudinho

tantos inhos
no meu ninho
de crochê

Flávia Reis

domingo, 13 de dezembro de 2009

TIANA E NAVEEN


Beijar o sapo faz parte do ritual de toda a princesa que se preze. Se ele virar príncipe, sorte dela. Agora se ela virar um sapo...ou melhor uma sapa, a coisa muda de figura! E o conto de fada deixa de ser aquele de sempre, tarimbado: wreb, wreb, wreb e leva você para New Orleans pra escutar um maravilhoso JAZZ. Foi isso que vi ontem no cinema. E fiquei surpresa ao constatar que não se trata de um desenho feito só por computadores, como todos os outros de hoje em dia. A nova animação da Disney e da Pixar é totalmente retrô, e você poderá assistir a um trabalho feito a mão! Não uma só, claro, mas dos desenhistas que demonstraram talento e desafio ao produzirem (até que em fim) a arte moderna das clássicas animações. Nada contra as tecnologias. Mas, amigos, desenho hoje em dia é coisa pra poucos, desde que o tal advento do computador apareceu e se espalhou na face da Terra. Walt Disney deve ter curtido o trabalho artesanal de sua nova equipe, que rabiscou traço por traço, quadro a quadro. E advinhem só: uma parte do desenho foi feita aqui no Brasil, sil, sil, mais precisamente no Brooklin, Zona Sul de São Paulo. Um camarada chamado Haroldo Guimarães Neto e uma turma de 50 pessoas trabalharam em 12 ou 13 cenas do filme. O fato é que, sendo sapo, sapa, príncipe ou princesa, a história é de amor com sotaque sulista arretado. Destaque para a personagem hilária da Charlotte, que me arrancou boas risadas. Cenas com imagens lindas e acesas com vagalumes. Pode suspirar no final, que eu deixo!




quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

TRANCINHAS DE MACHADO

Capitu deu-me as costas, voltando-se para o espelhinho. Peguei-lhe dos cabelos, colhi-os todos e entrei a alisá-los com o pente, desde a testa até as últimas pontas, que lhe desciam à cintura. Em pé não dava jeito: não esquecestes que ela era um nadinha mais alta que eu, mas ainda que fosse da mesma altura. Pedi-lhe que se sentasse.
— Senta aqui, é melhor.
Sentou-se. "Vamos ver o grande cabeleireiro", disse-me rindo. Continuei a alisar os cabelos, com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo, nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tato aqueles fios grossos, que eram parte dela. O trabalho era atrapalhado, às vezes por desuso, outras de propósito para desfazer o feito e refazê-lo. Os dedos roçavam na nuca da pequena ou nas espáduas vestidas de chita, e a sensação era um deleite. Mas, enfim, os cabelos iam acabando, por mais que eu os quisesse intermináveis. Não pedi ao Céu que eles fossem tão longos como os da Aurora, porque não conhecia ainda esta divindade que os velhos poetas me apresentaram depois; mas, desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes. Se isto vos parecer enfático, desgraçado leitor, é que nunca penteastes uma pequena, nunca pusestes as mãos adolescentes na jovem cabeça de uma ninfa... Uma ninfa! Todo eu estou mitológico. Ainda há pouco, falando dos seus olhos de ressaca, cheguei a escrever Tétis; risquei Tétis, risquemos ninfa; digamos somente uma criatura amada, palavra que envolve todas as potências cristãs e pagãs. Enfim, acabei as duas tranças. Onde estava a fita para atar-lhes as pontas? Em cima da mesa, um triste pedaço de fita enxovalhada. Juntei as pontas das tranças, uni-as por um laço, retoquei a obra alargando aqui, achatando ali, até que exclamei:
— Pronto!
— Estará bom?
— Veja no espelho...


PS:
(Isto é Dom Casmurro! O PENTEADO é um capítulo tipicamente juvenil, com alguns penduricalhos  linguísticos de mil oitocentos e bolinha, mas uma narrativa que trança meu coração.)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

QUENTIN BLAKE - CLIC


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

JÚPITER VEIO ME PROCURAR

foi visto comigo
andando
de bicicleta
rodando pneus
sobre dois mil fósseis

conchinha
átomos asteróides
caracol

todos juntos
ao pôr-do-sol

(eu e Júpiter)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

NO AVIÃO

"- Mãe, o que acontece se a gente jogar um chiclete no céu?"

domingo, 6 de dezembro de 2009

SONHOS DE AMORA






"Sonhos de sorvetes a alimentavam e sonos de sonhar a faziam repousar. Sempre que avistava lá de cima algum sinal de amizade, bicho, pessoa ou cidade, gritava perguntando: - Aqui alguém já sonhou botões de amora?"

Este é um dos meus trechos preferidos de A MENINA E O VESTIDO DE SONHOS, de autoria e arte de Alexandre Rampazo, editado pela Larrouse.

Dono de criatividade e mãos poderosas, capazes de fazer seus traços e pinturas saltarem em alto relevo, como amoras e bolhas de sabão saltam aos nossos olhos quando nos deparamos com elas ao vivo ou em sonho.

No livro de Rampazo, "... às vezes estes sonhos vinham com o vento ou grudados numa pétala de rosa. Noutras, batiam à sua porta ou simplesmente estavam ali no chão." E a garotinha pega aqueles que são desprezados pelos outros e vai costurando um grande saiote de sonhos-retalhos.

(Toda menina, em sã (in)consciência, gostaria de rodopiar dentro de um.)

A partir daí, esta personagem obstinada e curiosa, começa a empregar uma verdadeira busca, questionando sobre diversos aspectos de REALIZAÇÕES. Sobre os que crêem, os que não crêem. Sobre onde os sonhos precisam estar.

(Todo menino, em sã (in)consciência, gostaria de voar na banheira de um balão!)

Sonhos, para muitos, são considerados clichês. Poucos sabem discutir tão bem a respeito e de uma forma imaginativa, nada convencional. Mas a verdade é que eles sempre acabam interessando, intrigando. Seja quando estamos acordados, dormindo ou quando comemos aquele bem gordo e cremoso lá na padaria.

A criança que ler este livro sairá correndo atrás do seu próprio, tenho certeza. O adulto que ler, vai refletir sobre as possibilidades que se passaram e as que estão por vir.

As ilustrações - ah! as ilustrações da obra! - são tão especiais quanto o seu texto, e justificam o precioso e longo tempo empregado por Alexandre na conclusão de tantos sonhos.

Uma de minhas ilustras preferidas não está aqui neste post. Como seria bom sonhar com as páginas 18 e 19 deste livro...

Bom demais também é saber como isto é possível!







(todas as ilustras foram cedidas por Alexandre Rampazo)






sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

OFICINA DE DESENHO DE SONHOS

Quem conhece a NOVESETE ?  Livraria charmosa, guardiã de grandes textos infantis! É lá que o escritor e ilustrador ALEXANDRE RAMPAZO, responsável pela arte do meu livro DE VÁRIOS JEITOS, lança seu novo trabalho neste sábado, com uma oficina divertida para a criançada!

A MENINA E O VESTIDO DE SONHOS receberão comentários aqui neste BÓLIGO assim que eu puser as mãos e os olhos no texto!

De toda forma, se você não sabe o que fazer com aquele seu moleque de 6 anos, numa tarde de sábado Paulistana (a previsão do tempo diz que não chove),  acho que deixá-lo participar de uma mesa desenhante de sonhos é um ótimo programa. Mil vezes melhor do que ver Papai Noel em shopping.




quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

CHUÁ!

Chove chuva chovida na cidade dos chuchus!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

BALLET E BIGODINHO

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ALMANAQUE DOS SENTIDOS


"Que tal criar o dia do nariz?" Esta é uma das hilárias perguntas contidas no ALMANAQUE DO SENTIDOS, livro de Carla Caruso, que acaba de sair fresquinho, fresquinho, da Editora Moderna para todas as livrarias. Estive com ela no lançamento sexta passada. E qual não foi minha surpresa ao entrar na Vila da Fradique e encontrar exposto na prateleira um verdadeiro LIVRÃO, cheio de curiosidades inusitadas.

Um deleite para quem gosta de respostas às perguntas do tipo: a luz escreve? porque a lágrima é salgada? qual é o maior barulho do mundo?

Em qualquer página que eu folheie, tudo o que está contido nele me prende. E não há nada que não me interesse neste livro!

É um trabalho que pode estar sempre por perto. Não tem fim, não se esgota. Será sempre atual.

Possui aromas, gostos, texturas, sons, cores. Nariz, bocas, mãos, ouvidos e olhos. Traz fotografias lindas e diferentes, contos que envolvem o segredo da Medusa, a torta da Moura Torta e Simbad, o marujo dos mares.

O livro é um guia de experiências e brincadeiras. Você pode até vendar os olhos e tentar adivinhar o cheiro e o gosto de cebola com banana. Ou, quem sabe, passar a mão num porco espinho.

Tem coragem?











SOU DO TEMPO

Sou do tempo em que Plutão ainda era planeta. Raul cantava Plunti-Plati-Zoom. E as meninas podiam  fazer brigadeiro em qualquer tarde no meio da semana, com o leite condensado emprestado da vizinha.

Sou do tempo em que eu jamais perderia meu tempo fazendo as unhas, porque não estava nem aí pra cutícula, esmalte, nem aí pra brilho nenhum. (As pedrinhas de brilhante só existiam no "Se essa rua, se essa rua fosse minha.")

Sou do tempo em que tomava refrigerante do bico da garrafinha de vidro.  Foi por isso que quebrei o dentão da frente uma vez, porque um idiota de um garoto me empurrou na festa junina.

Sou do tempo em que o chocolate parecia bem mais gostoso. (Mudaram a fórmula do Choquito, tenho certeza!). Eu andava de patins sem joelheiras. Para bicicleta não existia capacete. Mesmo com gripe era possível um sorvete.

E o perigo não era assim tão perigoso.
  


sábado, 28 de novembro de 2009

ANINHA E SUAS PEDRAS

Este é o título de um dos poemas mais marcantes escritos por CORA CORALINA. Uma velhinha doceira, muito distinta, que começou a publicar seus trabalhos já na altura dos 75 anos!

Entre suas principais obras, vemos algumas infantis bem conhecidas nos anos 80 e 90: A moeda de ouro que o pato comeu. Os meninos verdes. As cocadas.

Exitem várias curiosidades a seu respeito, como por exemplo seus admiradores notáveis: Monteiro Lobato e Carlos Drummond de Andrade.

Eu era pequena quando Cora morreu. E depois disso, pelo menos aqui em São Paulo, confesso que  QUASE não escuto falar dela.

Acontece que nas terras de Goiás antiga, esta escritora permanece vivinha da Silva. Sua morada tornou-se um ponto importante para visitações. E um amigo, o fotógrafo Eduardo Muylaert,  foi até lá e entrou na Casa Velha da Ponte.  Vejam, então, as preciosidades que ele me trouxe:

Uma foto de sua escrivaninha com a máquina de escrever. (Lembre-se que naquela época, era assim que os escritores produziam seus trabalhos!)



Por Eduardo Muylaert

E temos também, pra minha coleção particular de fotos de quartinhos,  mais um outro jeitosinho, onde dormia a menina Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (ou simplesmente, Cora Coralina).



Por Eduardo Muylaert

Mas não é só. Antes de encerrar, vamos ao poema da doceira, que aliás, funciona muito bem como perfeita REZA BRABA para este blog de jeitos! Que assim seja:



Aninha e suas pedras


Não te deixes destruir...

Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
 Faz de tua vida mesquinha
um poema.

E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina (Outubro, 1981)


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"LA GRANDE FABRIQUE DE MOTS"





Não sei falar francês. Mas gostaria de aprender para ler profundamente o maravilhoso trabalho da minha colega argentina VALÉRIA DOCAMPO e da escritora de língua francesa AGNÈS LESTRADE.

Esta dupla de nacionalidade e países tão diferentes puderam realizar um trabalho de parceria, coroada pela Alice Jeunesse, editora belga. Detalhe: graças à Feira do Livro em Bolonha!

A GRANDE FÁBRICA DE PALAVRAS está situada num país muito estranho, onde quase ninguém fala e é necessário comprar palavras, engolí-las,  para então conseguir pronunciá-las. E como toda mercadoria, algumas palavras custam mais do que outras. Os pobres, por exemplo, tentam encontrá-las no lixo, no meio dos restos e normalmente acham pequenos acentos, pedaços  que não servem para falar quase nada! Os ricos, compram palavras sem parar e muitas vezes as desperdiçam. Mas em tempos de primavera, pode-se comprá-las em promoção. Algumas, inclusive voam pelos ares, onde as crianças conseguem caçá-las com suas redes.

Acontece que em meio a este cenário, como toda grande obra francesa (neste caso, eu chamaria de franco-argentina), não pode faltar uma boa estória de amor. Philéas apaixonado por Cybelle, possui apenas três palavrinhas guardadas para se declarar à futura namorada, que por sinal também está na mira de Oskar, que possui inclusive uma frase completinha e MUITO CARA para dizer a ela. Uma relíquia. Algo parecido como: "Te amo de todo meu coração, minha querida Cybelle..."

Já deu pra perceber que trata-se de um livro raro na literatura infantil, com sentido e muitos símbolos que nos fazem refletir sobre valores, cultura, diferenças de classes sociais, sobre palavras inúteis e palavras importantes.

O livro me chamou atenção também pelo trabalho da querida Valeria Docampo, que gentilmente conversou muuuuuito comigo sobre tudo que envolve a produção e sobre seus árduos 45 dias ininterruptos, debruçada sobre as pinturas de acrílico sobre o papel.

Admirável!

Minha expectativa é que este livro seja lançado ao menos em espanhol, língua-mãe da ilustradora-autora e quem sabe na nossa língua portuguesa. Por enquanto, temos de nos contentar em lê-lo em coreano, esloveno, neerlandês e francês. Depois, ano que vem, em alemão, chinês e inglês.

Mas esperem! Não vou acabar este texto sem deixá-los com água na boca, enquanto o livro não chega,  posso apenas revelar as três únicas palavrinhas preciosas e mágicas, guardadas com muito cuidado por Philéas, para quem sabe, declará-las à amada Cybelle:

cadeira, pó e cereja.









(todas as ilustras foram cedidas por Valeria Docampo!)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO

" Meu irmão Allie era canhoto, e por isso tinha uma luva de beisebol para a mão esquerda. Mas o que havia de descritivo nela é que tinha uma porção de poemas escritos em todos os dedos, na cova da luva, por todo canto. Em tinta verde. Ele copiava os poemas na luva porque só assim tinha alguma coisa para ler durante o jogo, quando não havia ninguém arremessando."


(Trecho do livro de J.D. Salinger - The catcher in the rye, Editora do Autor - 15a. edição, p.41)

domingo, 22 de novembro de 2009

BALADA LITERÁRIA 2009


Este feriado em Sampa foi regado a chuva e algum estado vegetativo de minha parte, no meio de uma estufa  fascinante do calor que não combina com esta cidadezinha. Mas não teve jeito! Hoje, acabei colocando o nariz pra fora de casa só pra ir ao encontro da querida LYGIA FAGUNDES TELLES,  participante ilustre da  nossa Balada Literária 2009, que teve por  homenageado João Silvério Trevisan.

Foi muito bom ouví-la de pertinho.  Ver sua disposição de contar coisas do seu passado, sua relação com as  personagens inventadas, sentidas.  Citou bastante sobre sua amizade com Clarice Lispector, leu Cecília Meireles, falou até de Aristóteles. Não sabia que a encantadora Lygia chegou, imaginem vocês, a lutar ESGRIMA, tentando (sem conseguir) proteger " o coração exposto" na indumentária!  Ela teme que a literatura brasileira comece daqui por diante a afundar num mar morto, junto de navios naufragados, corais e peixes cegos.

Mas são eventos como a balada literária que tentarão impedir que isso aconteça, querida Lygia! Pois, o coração do super escritor MARCELINO FREIRE, também está exposto. Graças a ele e outros colegas, esgrimistas ou não, que adoram e escrevem literatura brasileira, vamos usar bóias e coletes salva-vidas, acender todos os faróis dos mares, para que ela continue nadando em águas bem vivas.




 

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

TAL E QUAL

picolé
no calor
é como
chocolate quente
no frio
que é igual
banho de mar
no calor
como
cobertor felpudo
no frio
que é igual
andar descalço
no calor
como
escrever
no frio

Flávia Reis

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ô MÃE!

"mãe, quantos dias tem a palavra breve?

filho, se breve tem dias, digo que eles são muito poucos.
breve é cedinho, logo logo, daqui a pouquinho."

Flávia Reis

terça-feira, 17 de novembro de 2009

CASCADURA

- Ai moça Salviana. Foi lá na encosta do morro, foi lá, eu vi você inteira chegar, arrastando todos aqueles caranguejos. Num vestidinho de lama, os braços pinçados de sangue das pegadas dos crustáceos. Queria salvá-la, tirá-la deste trabalho de mundo, dos seus mergulhos no mangue, dessa sua carapaça de vida.

- Mas não dá pra me livrar disso não, Salvador! Tu ainda é muito moleque pra entender!  É preciso respirar debaixo do lodeiro mesmo. Nadar no escuro, no pegajoso. Sou Salviana cascadura! Cavo a lameira, faço toca e pego os bichos de melhor patola. E a vida é isto- é pesca no brejo - e a gente pesca assim: Dez pernas de um carangueijo valem cinco pratos de carne de vento. É o jabá que enche a barriga da gente!

- Ave Maria, Salviana, tem razão. Você é o que posso chamar de moça completa, caranguejeira! Não tem medo do pântano, nem de vida represada. Largue esse pendura e cai - bambu do mato - quero ver o sorriso das suas costas. Tá pesado?

- Não posso largar o pau de caranguejo não, moleque. Minha força é uma. Só baixo a vara lá na feira, que é a hora de vender!

- Salviana, que coragem! Que fundura de vontade. Gosto de ver você assim desse jeito, toda dengosa de lama! Mais uns anos e vou casar com você. Vamos noivar agora: ofereço água de côco, tapioca, acomodação e chamegos.

- Casar comigo, moleque? Nossa Senhora, não tem salvação! Não posso ficar noiva agora, assim suja, andando de lado...

- Então moça, ái aceite. Noivamos mais tarde, olho no olho, livre da lama, cheirosa.

- Mais tarde, Salvador? Mais tarde, menino, o que eu vou preciar mesmo é de uma bacia de salmoura!

Flávia Reis

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O SOM DO TREM! (por Villa-Lobos)

TRAVA LÍNGUA

tigelinha de água fria
que caiu da prateleira
foi nos olhos de Maria
que chorou segunda-feira

sábado, 14 de novembro de 2009

NOVOS VAMPIROS

Os vampiros continuam se arrastando pela noite eterna. E agora temos um outro novinho em folha. Jovem, bonitinho, bonzinho inho, inho e com nome de príncipe. Ah... Edward. Está deixando as fãs de CREPÚSCULO derretidas e loucas para serem a carne de pescoço da Bella, garota protagonista, namoradinha do dito vampiraldo. Mas turma, o negócio é o seguinte: Vampiros dão muito certo! É diversão para a moçada que curte a idéia de ver umas dentadas românticas, quase sanguinolentas. E Stephenie Meyer,  autora inglesa, escreve bem. Então uma equipe de cinema de peso aderiu e colocou a série no ar: Crepúsculo - Lua Nova - True Blood e Vampiere Diaries. A única coisa que lamento é que Edward só conseguiu herdar (discretamente) apenas os pontiagudos caninos de NOSFERATU.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

PINGA PINGA

~ do lado de fora da janela

   pertinho dos esqueletos
   de manjericão

   derrete
   o boneco de neve

  pinga cabeça
  pinga pescoço

  no chão desmancha

  mole
  sem osso  ~


Flávia Reis


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PISCA!

"– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"


Do livro "Memórias de Emília" de Monteiro Lobato. 1936

Este é um trecho muito clássico de Lobato, marcando presença aqui no bloguim.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

OITO SEGUNDOS PARA LER O BODE

{saltitante feliz
 sacode

 mastiga capim
 o bode

 de barba
 e bigode}


Flávia Reis

THE WALL

Quando o muro de Berlim caiu, eu tinha uns 13 anos.  Meus pais estavam assistindo TV e eu vi de relance o noticiário, enquanto fazia a lição de casa. Aquele povo todo com picaretas, marteladas e tratores, se pendurando sobre os tijolos e cimentos. Confesso que não entendi direito os motivos. O lado de lá queria ver os parentes do lado de cá. É isso, mãe? E era muito mais do que isso. Aqui no Brasil também tivemos um muro derrubado: os militares. E quando a muralha de aproximadamente 160 kilômetros foi deitada ao chão nas bandas de Berlim, um tal de Collor de Mello já estava entrando como um presidente-pixador em  todos os muros do nosso Brasil, il, il. Mas lá na Alemanha a situação era também grave. Hoje em dia, depois de 20  anos, é que fui entender melhor o que se passou.  As pessoas não tinham liberdade de transitar, de expressar suas opiniões. Os governantes da Alemanha Oriental eram autorítários, tiranos. Queriam que todos fossem iguais, e quem não era como eles, não pensava como eles, eram abominados, repudiados. Daí a presença do muro. O lado Ocidental não era como o Oriental. Então criaram a muralha para que o povo não se misturasse. E a turma de cá  ficou presa em seus próprios quintais vigiados. Daí espalharam um monte de espiões para tudo quanto é canto do mundo, só para terem o controle do que as pessoas pensavam sobre o jeito deles de ser. Um belo dia, coisas curiosas aconteceram: Um pessoalzinho lá da União Soviética que achava que pensava igual a Alemanha Oriental, retirou o apoio e não quis mais ajudá-los. E numa ironia super interessante, acontenceu uma encrenca: alguém escutou errado. E um comandante de nome difícil - Schabowski - interpretou uma informação incorreta e divulgou pra todo mundo algo mais ou menos assim: camaradas, venho comunicar sobre a suspensão das restrições de viagem para a população. Quando escutaram isso, o povo todo correu para o muro, achando que estavam liberados e começou a derrubada! Não deu para conter. A queda do THE WALL foi um verdadeiro efeito dominó pelo globo terrestre. Mas isto é tema para outro post, quem sabe.

Flávia Reis

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A CASA DE DOCES

Você sabe, preparei um bolo que tem o formato de uma casa. A porta é uma barra de chocolate. As janelas de caramelo. Tem um jardim de cerejas e brigadeiros. Um telhado de rocamboles. Agora estou aqui com toda esta farinha espalhada, clara de ovo até os azuleijos. Parece que nevou na minha cozinha. Tem uma torre de pizzas de louças sujas e os parentes estão pra chegar!

Inventei de fazer este bolo para agradar minha filha. Ela cismou que queria o tema do João e Maria, sabe? Minha pequena adora esta estorinha e inventamos a festa então. Que idéia! Fazer um bolo em formato de casa, com todas as paredes e utensílios comestíveis. Eu deveria mesmo era ter constratado uma construtora. Quero dizer, uma confeiteira! Mas eu quis arriscar. Quis provar para minha filha que eu consigo fazer seu bolo, do jeito que ela imaginou.

Acontece porém, que o telhado de rocambole precisa de uma chaminé! Não sei o que fazer. Tenho que pensar em algo! Não vai dar tempo.

Dim, dom, dim, dom. Ai, a campainha! Que faço agora? Sento e choro? Que droga! Alguém vai atender a porta, por favor!

Abro todos os armários, vasculho os cantos das gavetas. Ainda bem que é o entregador de bebidas. O que poderia servir de chaminé? Já sei, já sei, vou mandar o pai dela comprar alguma coisa pronta no mercadinho. Mas o quê?

Querido! Vá até o mercadinho e me traga uma chaminé para o bolo. Uma chaminé? Sim, uma chaminé! Se vira, se vira. Porque sempre sou eu a pensar tudo! Coloque a cabeça pra funcionar! Não fiz a filha sozinha!

Ele se foi.

Enquanto isso lavo a torre de louças, tiro este avental. Meu Deus, lembrei! Tenho de me arrumar ainda, tirar estes bobes do cabelo. Que roupa vou vestir? Ainda não decidi!

Queridinha, não senta no chão com este vestido novo! Assim vai se sujar antes da festa! Veja só o que a mamãe está preparando pra você com tanto carinho e você ainda por cima não me obedece! Vamos, levanta do chão!

Escuto a buzina do carro. É ele de volta. O que será que trouxe?

Mãe, posso provar um brigadeiro? Agora não. Espere a hora da festa! Vai mãe, só um? Tá bom só um. Mas não encosta no bolo. Querida, dá distância, não coloque o dedinho aí! Cuidado. Não pode furar a casa de doces!

Ele entra na cozinha, de volta.

Então, o que podemos colocar no telhado? Ele se aproximou silenciosamente alegre, jogou  um pacote na mesa e saiu sem dar uma palavra sequer.

Dim, dom, dim, dom. Alguém pode atender?! Mas será o Benedito? Ninguém está ouvindo a campainha? Os convidados começaram a chegar. Deixe-me olhar este embrulho.

E vejam vocês, que só pude sorrir. Que boa idéia! Era disso mesmo que eu precisava!

Uma casquinha de sorvete.

Flávia Reis

domingo, 8 de novembro de 2009

PERGUNTA:

Quantos anos tem novembro?

(Extraído do Livro das Perguntas de Pablo Neruda, arte de Ferrer com tradução de Ferreira Gullar - ed.Cosacnaify)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

COM VOCÊS:MEU AMIGO CHARLIE BROWN!


Em homenagem aos 60 anos da publicação das primeiras tiras Penauts by Charles Schulz, criador do Snoopy e do meu amigo Charlie Brown-arranhador de violino, segue uma tirinha de 1951 que eu curto. Tem muitas outras, mas hoje postarei esta aqui, com uma das melhores carinhas do Snoopy. Basta dar um click!



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

RIO VERDADEIRO É O MEU TIETÊ

Meu rio nasce todos os dias numa cama de pedra. A água que brota é comida por besouros. Ela mina, menina, com seus peixes invisíveis. Purificada por aranhas boiando em seus litros. Bebi o Tietê na minha mão. Matei a sede com água fresquinha. Este Tietê, tupi, significa o Rio Verdadeiro. Porque verdadeiramente ele não quer o mar. E o mar olha pra ele lá debaixo gritando: Vem, desce aqui! Ái, ái, ái, rio teimoso. Não escuta e sobe suicida. Quer gatinhar pela terra. Estica seus ossos de águas e vai crescendo com as cotoveladas dos outros. Vira piscina, pesqueiro, privada. Até que se torna uma alma penada vagando em São Paulo. Só que mais largo. Um morto com o coração batendo. Bebe refrigerante de lata. Come a batata frita do mato e sanduíches de lixo. Engraçado é vê-lo coroado pelas pontes da cidade, pintadas de arco-íris. Meu rio estátua, fica ali parado com tanta gente passando pela beira. O Tietê está à margem das estradas de carros. Entupida de pessoas e lanternas vermelhas, paradas tanto quanto ele. Em São Paulo, só se pode contemplar assim o Rio Verdadeiro. Do contrário, você passa na marginal preocupado com o radar que controla a sua velocidade. E meu querido Tietê, velho e triste, aquele que bebi em Salesópolis na nascente, outro dia, está lá todo vivo pra me saciar. Aqui em Sampa, finge não ter espírito. Mas eu o conheço bem! Vi-o nascer, espernear. E assim ele segue, vai nadando sem nadar. Vai se transformando, revivendo. Sobe, subindo, subindo ao contrário, pra se tornar, bem lá em cima do mapa, um verdadeiro rio prateado.

Flávia Reis


(Só pra quem não sabe, resumindo: o Rio Tietê nasce em Salesópolis corre por toda São Paulo até desembocar no Alto Paraná, depois se torna Rio da Prata e só então ele desce pra o encontro do mar... Que super geografia, minha gente!)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

BOA NOITE, MATISSE!

[durmo assim
                                               
debruçada

sobre braços

que abraço ]
  


[de  bruços
 
embrulho

sonhos com sonhos

e traços]

Flávia Reis




(oui oui, acabou, au revoir! Henri Matisse - avec une infinie créativité - se despediu da Pinacoteca em São Paulo - au Brésil!)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

SOU EMÍLIA

"Esse papel não serve, Senhor Visconde. Quero papel cor do céu com todas as suas estrelinhas. Também a tinta não serve. Quero tinta cor do mar com todos os seus peixinhos. E quero pena de pato, com todos os seus patinhos!"

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

HA ! ! !

OS LOBOS DENTRO DAS PAREDES

Dentro da casa, tudo estava calmo. Sua mãe estava colocando geléia caseira nos potes. Seu pai estava de folga tocando tuba. Seu irmão jogando videogame. Lucy escutou ruídos, vindo de dentro das paredes. Eram ruídos apressados e ruídos alvoroçados. Eram ruídos farfalhantes e ruídos crepitantes. Eram ruídos amarrotados, furtivos e rastejantes...É mais ou menos assim que NEIL GAIMAN, um escritor-bruxo, inicia sua travessura assustadora neste livreto publicado pela Rocco na coleção Jovens Leitores. O trabalho foi ilustrado por Dave Mcken e seus traços siniiiiistros. Quem conhece o Gaiman e curte quadrinhos, logo se lembra de SANDMAN com aqueles gatos todos circulando pelo mundo. Conheci OS LOBOS DENTRO DAS PAREDES na Flip, quando o próprio autor em carne, osso e voz de arrepiar, deu o ar da graça vestido de preto, com uma fila de 3 km para autografar. É claro que não fui louca de pegar a fila, só o livro já me bastava. E falando sobre isso, lembrei de algo curioso: Gaiman em sua palestra, contou que certa vez, um fã quando foi pegar um autógrafo, pediu que ele assinasse no braço, ao invés de assinar o livro. E tempos depois, o cara apareceu pra ele mostrando que tinha sobre aquela assinatura uma TATOO definitiva do nome do autor. Gaiman assustou com sua própria bruxaria! A que ponto chegaram seus feitiços. Então, voltando aos lobos, o livro carrega aquele suspense com ruídos amalucados e ruídos macabros. Ruídos nebulosos e ruídos assombrosos. Ruídos apavorantes, hilários e horripilantes.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

EU, BICHINHO NA LUZ

clica, clic
clica, clic

pode bater
a tecla
         no verbo

presente
teclo

futuro
teclarei

luz
luz
luzluz

entra
enter

en dónde estoy?

Flávia Reis

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

OBSERVADORES DE SACIS

Sacis nascem no oco dos bambus. Em ninhadas de 7 sacizinhos, medindo 7 centímetros. E assim, ganham dois presentes na maternidade do mato: um cachimbo e uma carapuça vermelha. Daí ele cresce até chegar aos 77 centímetros e só morre depois de completar 77 anos. Pra você conseguir dar uma espiada em um, é preciso ficar quietinho, atrás de uma árvore, com um olho fechado e o outro aberto... E sabe quem estuda as artimanhas do perneta? Acredite: temos aqui no Brasilllll a Associação Brasileira dos Observadores de Sacis! Uma entidade criada em 2003 em São Luiz do Paraitinga, com estatuto, atas e muitos cachimbos, tentando defender a sacizidade, o folclore e a cultura caipira no país. E tem mais! Estes Observadores darão um outro pulo bem grande agora: fazer com que o SACI seja eleito mascote da Copa de 2014. Voto a favor! O único problema vai ser a danada da lei antifumo. Mas, dá-se um jeitinho.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

GALERA COM BERNARDO E A PRINCESA DE CRISTAL


Bernardo está fazendo aniversário de lançamento este mês! E tem sido procurado principalmente pelas escolas de ensino fundamental que querem dar uma incrementada em Português e História do Brasil de um jeito divertido! Já participei  de debates deliciosos com professoras e alunos e tenho me surpreendido com a garotada me dizendo que o Elafe Guttata é um dos personagens mais interessantes!  "Será que ele volta no próximo livro?" Vamos ver. Vou pensar.















CHOCOLATES UP!

Chocolate pode ser delicioso até para uma ave tropical. Você vai entender melhor isto assistindo neste link aqui embaixo, uma de minhas cenas  preferidas do filme UP, produzido pela Pixar. Achei que o trailer da película não foi tão legal e fez parecer que se tratava de um velho rabujo antipático, com um molequinho pentelho, voando numa casa engraçada. NADA DISSO! A animação não é nem um pouco convencional, muito menos chata! Temos dois personagens distantes em suas idades, mas muito próximos como aventureiros-escoteiros. É apenas o segundo trabalho de Peter Docter, que me parece muito perspicaz, evitando que crianças e adultos sejam  condenados aos desenhos maçantes. Arrisquem.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O MISTÉRIO DE FEIURINHA

"E viveram felizes para sempre." Não seria curioso saber o que existe depois desta frase? Pois é... Meu colega Pedro Bandeira, fez o favor de inventar! Colocou Branca de Neve, Rapunzel, Cinderela e Bela Adormecida todas juntas, casadas com seus respectivos sapos-príncipes, filhos e dor de cabeça. Só que com mais um detalhezinho - estas belas, docemente comuns, se unem para uma particular investigação -o desaparecimento da princesa Feiurinha. Criatividade é pouco para este autor. Imaginar o que está além dos contos de fadas na literatura infantil e juvenil é uma faceta atual. E Pedro Bandeira surpreende com tanta irreverência. A idéia é tão boa que a própria Xuxa correu pra transformar o livro em filme de cinema. Advinhem quem ela vai interpretar?

O PEIXE COCA-COLA

mergulha
                    peixe preto
                                              embrulha
                                                                 água
                                                                             pura
                                                                                        escura

                                                                                                      borbulha


Flávia Reis

sábado, 24 de outubro de 2009

COMENTÁRIOS DE ALGUM JEITO!

Primeira semana do  DE VÁRIOS JEITOS.blogspot. Pensei que estivesse falando solitária com  paredes internéticas e bites companheiros-mudos. Por isso não deixei os posts abertos a comentários em branco. Mas eu estava redondissimamente enganada! Porque, para minha SURPRESA, pessoas MUITO legais, que eu não tinha qualquer contato consciente, em especial a professora-escritora Luana Von Linsingem , me mandaram e-mails  graciosos de incentivo. Então que venham os comentários, (com jeitinho):

CATAPORA

Uma das últimas novidades do mundo poético-literário é criação do VÍDEO-POEMA, onde você escreve uma poesia no papel e depois, junto de uma equipe que entende de produção, trilha sonora, gravação e fotografia, consegue desenvolver um filminho recintante. E um dos mais lindos que já vi, apareceu diante da tela esta semana: “LIÇÃO DE CASA” está entre os finalistas do Prêmio Internacional de Poesia em Vídeo da Fliporto2009. Escrito pela colega super poetisa Analu Andriguetti, o texto alcança o mais alto grau de memória da infância e me nocauteou de saudade! Com a direção de Eduardo Mulayert, junto de uma turma de experts: Emiliano Castro, Andre Caccia Bava e Helô Melo; no fundo no fundo, este Vídeo-Poema se chama mesmo é CATAPORA!